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Clareamento dental: o que funciona e o que mancha de novo

4 min de leituraPor Dr. Leonardo Blanco · CRO-PR 21259

Clareamento é um dos tratamentos mais procurados — e também um dos mais cercados de receita caseira arriscada. O que funciona é o clareamento com peróxido em concentração adequada, feito no consultório ou em casa com moldeira e supervisão; o que não funciona é bicarbonato, limão ou carvão, que desgastam o esmalte e, no médio prazo, deixam o dente mais amarelo.

Por que o dente escurece

  • Pigmentos da alimentação — café, chá preto, vinho tinto, refrigerante escuro e molhos;
  • Cigarro, que mancha de forma intensa e persistente;
  • Idade, porque o esmalte afina e deixa transparecer a dentina, naturalmente mais amarela;
  • Medicamentos e traumas, que podem escurecer um dente específico;
  • Placa acumulada, que dá aspecto opaco e amarelado mesmo sem mancha real.

As duas formas que funcionam

Aspecto Consultório Caseiro supervisionado
Onde é feito Na clínica, pelo dentista Em casa, com moldeira feita sob medida
Concentração do gel Mais alta Mais baixa, por mais tempo
Ritmo do resultado Perceptível já nas primeiras sessões Gradual, ao longo de semanas
Sensibilidade Mais comum, e transitória Costuma ser menor

Na maioria dos casos, os dois são combinados: sessões no consultório para o salto inicial e a moldeira em casa para consolidar e manter.

Clareamento não age sobre restaurações Resinas, coroas e facetas não clareiam. Se você tem trabalhos na região visível, eles podem precisar ser refeitos depois para acompanhar a nova cor — e isso entra no planejamento desde o início.

Como fazer o resultado durar

  1. Evite os pigmentos mais fortes nos primeiros dias após cada sessão, quando o dente está mais permeável;
  2. Beba água após café, chá ou vinho, para não deixar o pigmento parado;
  3. Mantenha a higiene em dia — placa acumulada devolve o aspecto opaco rapidamente;
  4. Não fume: é o fator que mais rápido reverte o clareamento;
  5. Faça a manutenção com a moldeira, no intervalo indicado pelo dentista;
  6. Vá às revisões, onde a limpeza profissional remove o que a escova não alcança.

Por que as receitas caseiras não funcionam

Bicarbonato, limão, carvão ativado e pasta com "efeito branqueador" agressivo não clareiam: eles abrasionam. A diferença é importante. Clarear significa quebrar as moléculas de pigmento dentro do dente; abrasionar significa desgastar a superfície.

O resultado imediato até engana, porque a remoção da camada mais superficial dá impressão de dente mais claro. Só que o esmalte não se regenera. Com ele mais fino, a dentina — naturalmente amarelada — passa a transparecer mais, e o dente fica mais escuro do que antes. No caso do limão, soma-se o ácido, que desmineraliza o esmalte diretamente.

A sensibilidade durante o tratamento

É o efeito colateral mais comum, e costuma assustar quem não foi avisado. O gel clareador atravessa o esmalte e chega aos túbulos da dentina, o que pode gerar aquela sensação rápida e aguda ao frio.

O que ajuda:

  • Usar dessensibilizante antes e durante o tratamento, conforme indicação;
  • Espaçar as sessões, em vez de acelerar o processo;
  • Reduzir o tempo de uso da moldeira nos dias de maior sensibilidade;
  • Evitar bebidas muito geladas durante o período.

A sensibilidade é transitória: ela desaparece depois do fim do tratamento e não indica dano ao dente.

Quanto tempo dura o resultado

Não existe prazo fixo, porque depende diretamente dos seus hábitos. Em geral fala-se em um a dois anos antes de uma nova manutenção — período que encurta bastante em quem fuma ou consome café e vinho com frequência, e se estende em quem mantém boa higiene e faz retoques periódicos com a moldeira.

A manutenção, aliás, é bem mais simples que o tratamento inicial: costumam bastar algumas noites com a moldeira para devolver o tom.

O que avaliar antes

Cárie, gengiva inflamada e sensibilidade importante precisam ser tratadas antes. Clarear sobre um problema existente aumenta o desconforto e não entrega o resultado esperado.

Veja também a diferença entre facetas e lentes de contato dental.

Fontes e referências: Conselho Federal de Odontologia (CFO) · Associação Brasileira de Odontologia (ABO)

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