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Bruxismo: como saber se você range os dentes

4 min de leituraPor Dr. Leonardo Blanco · CRO-PR 21259

O bruxismo acontece em boa parte durante o sono, então quem tem raramente percebe sozinho. Os sinais aparecem indiretamente: mandíbula cansada ao acordar, dor de cabeça na região das têmporas, sensibilidade nos dentes e desgaste nas bordas. Ignorar isso sai caro, porque o desgaste do esmalte não se regenera.

Sinais que valem atenção

  • Mandíbula cansada ou dolorida ao acordar, como se tivesse mastigado a noite toda;
  • Dor de cabeça que começa nas têmporas, sobretudo pela manhã;
  • Dentes sensíveis ao frio, sem cárie que explique;
  • Bordas dos dentes achatadas ou lascadas;
  • Estalo ou travamento ao abrir a boca;
  • Alguém em casa relata o barulho de ranger durante a noite.

O que o bruxismo desgasta

Estrutura Consequência
Esmalte Desgaste que expõe a dentina e causa sensibilidade — e não se regenera
Restaurações e facetas Trincas, lascas e descolamento antes do tempo
Implantes e próteses Sobrecarga que estressa os componentes e encurta a vida do trabalho
Articulação da mandíbula Dor, estalo e limitação de abertura
Gengiva e osso Retração e mobilidade dentária em casos avançados
A placa protege, mas não cura A placa de proteção evita que o desgaste continue — ela recebe a carga no lugar dos dentes. O que provoca o ranger, porém, costuma envolver estresse, qualidade do sono e a forma como os dentes se encaixam. Tratar só com a placa é conter o dano sem olhar a causa.

O que costuma fazer parte do tratamento

  1. Placa de proteção feita sob medida, para uso durante o sono;
  2. Ajuste da mordida, quando o encaixe dos dentes contribui para a sobrecarga;
  3. Manejo do estresse e do sono, que é onde está boa parte do gatilho;
  4. Tratamento da dor, quando a articulação já está envolvida;
  5. Reconstrução do que se desgastou, depois que o quadro está controlado;
  6. Acompanhamento, para medir se o desgaste parou de avançar.

Bruxismo do sono e bruxismo de vigília

São dois comportamentos diferentes, e essa distinção muda o tratamento.

O bruxismo do sono é involuntário e costuma envolver o ranger, com movimento lateral dos dentes. É o que produz o barulho que alguém em casa escuta e o desgaste característico nas bordas.

O bruxismo de vigília é o apertar durante o dia, quase sempre ligado a concentração ou tensão — no trânsito, na frente do computador, em situações de estresse. Não faz barulho e passa despercebido por anos. Aqui, uma parte relevante do tratamento é perceber o hábito: notar que os dentes estão em contato e relaxar a mandíbula, repetidas vezes ao dia, muda o quadro.

O que costuma estar por trás

  • Estresse e ansiedade, os fatores mais frequentes;
  • Qualidade do sono, incluindo quadros de apneia, que merecem investigação médica;
  • Cafeína, álcool e nicotina, que aumentam a atividade muscular noturna;
  • Alguns medicamentos, sobretudo certos antidepressivos;
  • Desequilíbrio na mordida, que contribui em parte dos casos.

Por que a placa precisa ser feita sob medida

Placas prontas de farmácia costumam piorar o quadro. Sem adaptação à sua mordida, elas geram contatos irregulares, e o corpo responde apertando ainda mais para buscar uma posição estável. Algumas ainda são macias demais, o que funciona como um "chiclete" e estimula a musculatura em vez de relaxá-la.

A placa feita sob medida distribui os contatos de forma uniforme, protege o esmalte e permite que a musculatura descanse. Ela é ajustada nas primeiras semanas de uso, conforme a mandíbula acomoda.

Se você tem implantes ou facetas, isso é urgente O bruxismo é uma das principais causas de trinca em porcelana e de sobrecarga em implantes. Proteger o trabalho custa muito menos do que refazê-lo.

Por que isso importa se você tem implantes

O implante não tem o ligamento que existe em volta do dente natural e que amortece a força da mastigação. Por isso, quem tem bruxismo e faz reabilitação com implantes precisa da placa de proteção como parte do tratamento — não como acessório opcional.

Veja também o que define a durabilidade de um implante.

Fontes e referências: Conselho Federal de Odontologia (CFO) · Associação Brasileira de Odontologia (ABO)

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