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Perdi um dente: o que fazer e em quanto tempo repor

4 min de leituraPor Dr. Leonardo Blanco · CRO-PR 21259

Muita gente adia a reposição de um dente perdido achando que, se ele não aparece ao sorrir, não há pressa. O problema é que o espaço vazio não fica parado: os dentes vizinhos se inclinam, o antagonista desce e o osso da região começa a ser reabsorvido. Quanto mais tempo passa, mais trabalhoso e caro fica o tratamento.

O que acontece com o espaço vazio

  • Os dentes vizinhos se inclinam para o espaço, desalinhando a mordida;
  • O dente oposto se estende, buscando um contato que não existe mais;
  • O osso perde estímulo e vai diminuindo em altura e espessura;
  • A mastigação se desloca para o outro lado, sobrecarregando aquela região;
  • A limpeza fica mais difícil nos dentes inclinados, aumentando o risco de cárie e problema de gengiva.

A janela de tempo

Tempo desde a perda Situação típica O que costuma ser necessário
Até 3 meses Osso preservado, dentes ainda na posição Implante em condições favoráveis
3 a 12 meses Início de reabsorção óssea Implante, por vezes com enxerto pequeno
Mais de 1 ano Perda óssea e movimentação dos vizinhos Enxerto ósseo e, às vezes, ortodontia antes do implante
Já faz anos que perdi o dente Isso não impede o tratamento. Significa apenas que pode ser preciso reconstruir o osso antes de instalar o implante — algo que hoje é rotina, inclusive em regiões com perda importante.

As opções de reposição

  1. Implante unitário — repõe o dente sem desgastar os vizinhos. É a opção que mais preserva o que ainda está saudável;
  2. Ponte fixa convencional — apoia-se nos dentes ao lado, que precisam ser desgastados para receber a estrutura;
  3. Prótese removível parcial — mais acessível, porém menos estável e com maior impacto no dia a dia.

E quando o dente é do fundo, que ninguém vê

É o caso mais adiado de todos — e o que mais cobra depois. Os molares são responsáveis pela maior parte da força da mastigação. Sem eles, a carga se desloca para dentes que não foram feitos para isso, o que acelera desgaste, trincas e problemas na articulação da mandíbula.

Há ainda um efeito em cadeia: sem o molar, o dente oposto começa a se estender para baixo (ou para cima) em busca de contato. Com o tempo, ele se solta e pode ser perdido também — um dente saudável perdido por causa do vizinho ausente.

O que acontece com a mordida

A mordida funciona como um conjunto equilibrado. Retirar uma peça desloca esse equilíbrio de formas que aparecem meses ou anos depois:

  • Sobrecarga do lado oposto, com desgaste acelerado;
  • Dor na articulação da mandíbula, por mastigação assimétrica;
  • Retração de gengiva nos dentes que passaram a receber mais força;
  • Dificuldade de higiene nos dentes inclinados, com mais cárie e gengivite.
Reposição não é só estética Mesmo um dente invisível ao sorrir cumpre uma função mecânica. Repor é preservar o restante da boca, não apenas a aparência.

Por onde começa o tratamento

A sequência é quase sempre a mesma: primeiro tratar o que está ativo — cárie, gengivite, doença periodontal — e só então repor o dente. Instalar um implante em uma boca com inflamação ativa é expor o tratamento novo à mesma bactéria que causou a perda anterior.

Depois disso vem a tomografia, o planejamento digital e a definição entre implante, ponte ou prótese removível, conforme o que existe de osso e o que faz sentido para a sua rotina.

O primeiro passo é uma imagem

Qualquer decisão aqui depende de saber quanto osso existe na região, e isso só a tomografia computadorizada mostra. É por ela que começa a avaliação: antes dela, qualquer plano é chute.

Para se aprofundar, veja o que se sente durante e depois da cirurgia de implante e quanto tempo dura um implante.

Fontes e referências: Conselho Federal de Odontologia (CFO) · Associação Brasileira de Odontologia (ABO)

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