Perdi um dente: o que fazer e em quanto tempo repor
Muita gente adia a reposição de um dente perdido achando que, se ele não aparece ao sorrir, não há pressa. O problema é que o espaço vazio não fica parado: os dentes vizinhos se inclinam, o antagonista desce e o osso da região começa a ser reabsorvido. Quanto mais tempo passa, mais trabalhoso e caro fica o tratamento.
O que acontece com o espaço vazio
- Os dentes vizinhos se inclinam para o espaço, desalinhando a mordida;
- O dente oposto se estende, buscando um contato que não existe mais;
- O osso perde estímulo e vai diminuindo em altura e espessura;
- A mastigação se desloca para o outro lado, sobrecarregando aquela região;
- A limpeza fica mais difícil nos dentes inclinados, aumentando o risco de cárie e problema de gengiva.
A janela de tempo
| Tempo desde a perda | Situação típica | O que costuma ser necessário |
|---|---|---|
| Até 3 meses | Osso preservado, dentes ainda na posição | Implante em condições favoráveis |
| 3 a 12 meses | Início de reabsorção óssea | Implante, por vezes com enxerto pequeno |
| Mais de 1 ano | Perda óssea e movimentação dos vizinhos | Enxerto ósseo e, às vezes, ortodontia antes do implante |
As opções de reposição
- Implante unitário — repõe o dente sem desgastar os vizinhos. É a opção que mais preserva o que ainda está saudável;
- Ponte fixa convencional — apoia-se nos dentes ao lado, que precisam ser desgastados para receber a estrutura;
- Prótese removível parcial — mais acessível, porém menos estável e com maior impacto no dia a dia.
E quando o dente é do fundo, que ninguém vê
É o caso mais adiado de todos — e o que mais cobra depois. Os molares são responsáveis pela maior parte da força da mastigação. Sem eles, a carga se desloca para dentes que não foram feitos para isso, o que acelera desgaste, trincas e problemas na articulação da mandíbula.
Há ainda um efeito em cadeia: sem o molar, o dente oposto começa a se estender para baixo (ou para cima) em busca de contato. Com o tempo, ele se solta e pode ser perdido também — um dente saudável perdido por causa do vizinho ausente.
O que acontece com a mordida
A mordida funciona como um conjunto equilibrado. Retirar uma peça desloca esse equilíbrio de formas que aparecem meses ou anos depois:
- Sobrecarga do lado oposto, com desgaste acelerado;
- Dor na articulação da mandíbula, por mastigação assimétrica;
- Retração de gengiva nos dentes que passaram a receber mais força;
- Dificuldade de higiene nos dentes inclinados, com mais cárie e gengivite.
Por onde começa o tratamento
A sequência é quase sempre a mesma: primeiro tratar o que está ativo — cárie, gengivite, doença periodontal — e só então repor o dente. Instalar um implante em uma boca com inflamação ativa é expor o tratamento novo à mesma bactéria que causou a perda anterior.
Depois disso vem a tomografia, o planejamento digital e a definição entre implante, ponte ou prótese removível, conforme o que existe de osso e o que faz sentido para a sua rotina.
O primeiro passo é uma imagem
Qualquer decisão aqui depende de saber quanto osso existe na região, e isso só a tomografia computadorizada mostra. É por ela que começa a avaliação: antes dela, qualquer plano é chute.
Para se aprofundar, veja o que se sente durante e depois da cirurgia de implante e quanto tempo dura um implante.
Fontes e referências: Conselho Federal de Odontologia (CFO) · Associação Brasileira de Odontologia (ABO)
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