Quem pode fazer implante dentário? Idade, diabetes e osso | Clínica Viver Bem
Voltar para o blogImplantes

Quem pode fazer implante dentário? Idade, diabetes e osso

4 min de leituraPor Dr. Leonardo Blanco · CRO-PR 21259

Três perguntas aparecem sempre: idoso pode, diabético pode e quem tem pouco osso pode. A resposta curta é que a maioria dos adultos com saúde geral razoável pode fazer implante — o que decide não é a idade nem o diagnóstico isolado, mas a condição atual da saúde e a quantidade de osso disponível.

Idade não é critério

Não existe limite de idade para implante. O que importa é a condição de saúde no momento do tratamento — e há pacientes na faixa dos 70 e 80 anos com resultado excelente. No outro extremo, adolescentes precisam esperar o crescimento ósseo terminar, porque o implante não acompanha o desenvolvimento dos maxilares como um dente natural acompanha.

Condições que exigem atenção, não recusa

Condição Impacto Conduta usual
Diabetes Se descompensada, atrapalha a cicatrização Compensar antes; controlada, o implante é viável
Hipertensão Relevante para o dia da cirurgia Controlada, não impede o tratamento
Tabagismo Um dos maiores fatores de risco para falha Reduzir ou cessar, sobretudo no pós-operatório
Doença periodontal ativa A mesma bactéria ameaça o implante Tratar antes de instalar
Pouco osso Pode não haver ancoragem suficiente Enxerto ósseo ou implantes em posição inclinada
Uso de certos medicamentos ósseos Interfere na cicatrização do osso Avaliação conjunta com o médico
"Me disseram que não tenho osso" Essa frase costuma vir de uma avaliação sem imagem em 3D. Técnicas de enxerto e o posicionamento inclinado dos implantes resolvem boa parte desses casos hoje. Uma tomografia é o que dá a resposta real.

O que a avaliação precisa incluir

  1. Histórico de saúde completo, incluindo medicamentos em uso;
  2. Exame clínico da boca, da gengiva e da mordida;
  3. Tomografia computadorizada, que mostra altura e espessura do osso em 3D;
  4. Planejamento digital, definindo a posição de cada implante antes da cirurgia;
  5. Tratamento prévio de cárie e doença de gengiva, se houver;
  6. Alinhamento de expectativas sobre prazo e etapas.

O papel da tomografia

Boa parte das respostas definitivas vem de um exame só. A tomografia computadorizada de feixe cônico mostra o osso em três dimensões: altura, espessura e densidade, além da posição de estruturas que precisam ser respeitadas, como o nervo alveolar inferior e o seio maxilar.

Com essa imagem é possível simular a posição de cada implante antes da cirurgia e decidir, com base em dado e não em impressão, se o caso pede enxerto, implantes inclinados ou se está tudo pronto para instalar.

Quando é preciso preparar antes

  • Doença periodontal ativa: tratar primeiro. A mesma bactéria que causou a perda dos dentes ameaça o implante;
  • Cáries e focos de infecção: eliminados antes de qualquer cirurgia;
  • Pouco osso em altura ou espessura: enxerto ósseo, que pode ser feito antes ou junto da instalação;
  • Seio maxilar muito baixo: levantamento de seio para criar espaço ósseo na região posterior superior;
  • Diabetes descompensada: compensar com acompanhamento médico antes de operar;
  • Tabagismo: reduzir ou interromper, sobretudo nas semanas em torno da cirurgia.

O que mudou nos últimos anos

Casos que há uma década seriam recusados hoje são rotina. Técnicas de reconstrução óssea evoluíram bastante, e o posicionamento inclinado dos implantes permite aproveitar regiões de osso mais firme sem precisar enxertar. Quem ouviu "não dá" há alguns anos merece uma segunda avaliação com imagem em 3D.

Idade avançada pode até favorecer a indicação Em pacientes mais velhos, a dificuldade de adaptação à prótese removível costuma ser maior, e a estabilidade que os implantes oferecem tem impacto direto na nutrição e na qualidade de vida.

A conclusão honesta

A pergunta "eu posso fazer implante?" não tem resposta pela internet. Ela depende de exames e de exame clínico. O que se pode afirmar com segurança é que a lista de impedimentos reais é bem menor do que a maioria das pessoas imagina.

Veja também o que acontece quando um dente não é reposto e como é a cirurgia e a recuperação.

Fontes e referências: Conselho Federal de Odontologia (CFO) · Associação Brasileira de Odontologia (ABO)

Leia também